Olhar do Sertão

Martha Medeiros criou o Projeto Olhar do Sertão com o intuito de levar assistência social para uma das regiões mais pobres do nosso país, o sertão nordestino. Dessa maneira, o projeto reúne pessoas do bem e leva assistência a quem mais precisa. A primeira etapa do projeto aconteceu em setembro de 2014 e contou a com a expressiva ajuda da Artefacto, que contribuiu na arrecadação de fundos, por meio da venda de uma linha especial de almofadas, criadas especialmente para o projeto. Além da Artefacto, a Fundação Oftalmológica Dr. Rubem Cunha, comanda pelos doutores Marcelo e Rosana Cunha também contribuiu.

Os médicos se juntaram ao grupo com alguns funcionários, e todos embarcaram para o sertão para atender mais de 400 pessoas, com consultas oftalmológicas, receitas de óculos, doação de óculos de grau, óculos escuros, colírios e medicamentos oftalmológicos. O grupo contou ainda com Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza que foi pessoalmente visitar as comunidades, ajudar a ação e dar palestras com dicas e consultorias de empreendedorismo. As empresas Johnsons & Johnsons e Dudalina também embarcaram nessa empreitada, doando kits de saúde e higiene e brindes.

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Projeto Olhar do Sertão, da estilista Martha Medeiros, transforma uma das regiões mais carentes do Brasil

Em parceria com a Fundação Oftalmológica Dr. Rubem Cunha, a ação se inicia dando assistência a mais de 300 pessoas com dificuldades de visão e, em breve, oferecerá soluções para problemas dentários e atuará na prevenção do câncer de mama.

Martha Medeiros, a alagoana que se tornou sinônimo de luxo ao colocar em novo patamar as rendas brasileiras, não poderia estar mais feliz e tomada de esperança. Nos primeiros dias de outubro, ao lançar oficialmente seu projeto Olhar do Sertão, a estilista reencontrou seu passado e concretizou um sonho: transformar com ações inovadoras e eficientes o carente sertão brasileiro – uma região com a qual, diga-se, ela tem intimidade de sobra. E ledo engano daqueles que imaginam que sua relação intrínseca com estas comunidades se dá apenas por ser o Nordeste sua terra natal. “Comecei por necessidade, e porque sabia que não poderia fazer um bom trabalho somente com ajudas pontuais”, afirma Martha, com a fala acelerada que lhe é tão proficiente, sem perceber que o projeto nada mais é que uma evolução humanitária dos ideais que carrega de forma arraigada.

Para entender o que ela chama de “necessidade”, é preciso voltar no tempo, quando Martha começou a trocar experiências com rendeiras sobre a atividade manual que consiste na arte de entrelaçar linhas – atualmente são mais de 400 profissionais sob sua direção, muitas às margens do Rio São Francisco. O aprendizado sempre foi mútuo: a estilista mostrou a elas novos caminhos e as fez compreender que possuíam uma relíquia feita à mão. Já Martha foi algumas vezes surpreendida ao encontrar rendas únicas – ocasiões nas quais fez questão de resgatar os pontos e aprimorá-los, ciente de serem valiosas obras de arte. Com tamanha intimidade, não poderia ser diferente: se envolveu emocionalmente com cada uma de suas rendeiras e batalhou por uma melhor remuneração à classe.

“Já chamei caminhão-pipa para levar água e até contratei advogados para ajudar em problemas matrimoniais”, diverte-se Martha, que começava a se inquietar cada vez mais em busca de soluções que pudessem ser permanentes, e não apenas paliativas. Nada mais natural, portanto, que ela sentisse falta de realizar algo concreto, que pudesse ajudar na profissionalização de cada uma dessas comunidades e a expandir as expectativas de um povo que sofre mazelas impensáveis em outros estados mais abastados do Brasil e que vive, em contraponto, numa das áreas mais férteis em termos de cultura e artesanato.

As Rendeiras

Quando decidiu trabalhar com renda, Martha sabia dos desafios que tinha pela frente. “Fui atrás daquilo em que acreditava. Foi um trabalho árduo, mas consegui tirar a cara de toalha de mesa das peças, mostrei que existem outras possibilidades de trabalhar com a renda”, diz Martha. Para isso, ela lida diretamente com as cerca de 350 rendeiras espalhadas por várias comunidades localizadas à beira do rio São Francisco.  “Não dou o peixe, mostro a elas como pescar. Quero deixar um legado para elas”.

No começo, houve certa resistência por parte das mulheres. Mas com o tempo, Martha conseguiu mostrar que se o produto não tiver qualidade, ele não vende. A estilista, que fez cursos de rendas na França, passou a levar informações, ensinar técnicas novas e mostrou que elas possuíam uma joia em mãos. “Resgatei os pontos originais e a nobreza das rendas, aquelas trazidas pelas freiras europeias na época da colonização, que acabaram se perdendo com o tempo. Ofereci um material de qualidade e ensinei como não deixar a renda ter avesso”.

Na primeira comunidade que passou a frequentar, no Pontal da Barra, conhecido como bairro das rendeiras, ela notou que as mulheres usavam redes de pescas rasgadas como base para a renda Filé. “Ficava muito grosseiro, grande. Pedi que diminuíssem os pontos, dei novas linhas e elas perceberam que era possível sofisticar o trabalho”, diz.

A partir daí, Martha partiu para uma viagem de 30 dias pelo sertão nordestino, para conhecer comunidades importantes nas Alagoas, no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba. Em São Sebastião, no agreste alagoano, Martha encontrou a renda de Bilro. Na Ilha do Ferro, povoado do município de Pão de Açúcar, à beira do São Francisco, ela encontrou a delicada e exclusiva renda Boa Noite.

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Todas as comunidades que fornecem matéria-prima para Martha são organizadas e orientadas pelo Sebrae, e ela não trabalha com atravessadores. “Não é só uma relação de compra e venda. Faço questão de atuar ao lado delas, de ensinar o que eu sei, para que elas tenham orgulho do que fazem. Quando cheguei lá, vi que a geração mais nova tinha vergonha de usar renda. Hoje, quando mostro artistas famosas usando minhas criações, com as rendas que elas fizeram, vejo o orgulho estampado em seu rosto”, diz Martha.

Além de mostrar como é possível melhorar as rendas, Martha ensina às rendeiras todos os pontos novos que cria. E é importante ressaltar que, apesar disso, as peças produzidas por essas rendeiras não são exclusividades de Martha Medeiros. “Elas são livres para vender para quem quiserem. Com todo o conhecimento que levei para elas, hoje suas rendas estão mais valorizadas, e elas podem vendê-las por um preço melhor”.  Martha é madrinha de uma escola de renda localizada no Morro da Mariana e compra de 30 moças toda a produção de renda de Bilro.

A Renda

A renda renascença é a principal renda usada nas criações de Martha Medeiros, mas não é a única. Martha trabalha também com rendas de diferentes regiões do sertão, mantendo a tradição de cada uma delas, viva em suas rendeiras e em suas próximas gerações. São elas: Renda de Bilro, Renda Filé e Renda Boa Noite. Além das legítimas rendas brasileiras, Martha também usa em suas criações rendas francesas, usadas apenas por estilistas de alta costura fora do país. Dessa forma, o trabalho da estilista fica ainda mais amplo, com possibilidades mais abrangentes na hora de criar uma peça.

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